Juro básico recua para 8,25% ao ano na 8ª queda seguida, menor nível em 4 anos

 

Em comunicado, autoridade monetária indica que juros continuarão caindo e que poderão chegar a 7,25% ao final deste ano, como já prevê o mercado financeiro.

Para 2017, o mercado financeiro prevê que a inflação deve ficar em 3,38%, abaixo da meta de 4,5% fixada pelo CMN para este ano. A meta central de inflação não é atingida no Brasil desde 2009.

 

O que diz o BC

Em comunicado divulgado após a reunião do Copom, o Banco Central indicou que o processo de corte da taxa básica de juros da economia continuará no futuro.

O BC informou que, no cenário com trajetórias para as taxas de juros e câmbio estimadas pelo mercado, suas projeções para a a inflação recuaram para em torno de 3,3% para 2017 e elevaram-se para aproximadamente 4,4% para 2018.

“Esse cenário supõe trajetória de juros que encerra 2017 em 7,25%, cai para 7,0% no início de 2018 e eleva-se para 7,5% ao final do ano [que vem]”, acrescentou o Copom. Em julho, o Banco Central estimava que a trajetória de juros que poderia alcançar 8% ao ano no fim de 2017.

O Copom avaliou, porém, que pode reduzir o ritmo de corte dos juros no próximo encontro do Copom, marcado para 24 e 25 de outubro.

“Para a próxima reunião, caso o cenário básico evolua conforme esperado, e em razão do estágio do ciclo de flexibilização, o Comitê vê, neste momento, como adequada uma redução moderada na magnitude de flexibilização monetária [ritmo de corte dos juros]”, informou.

Acrescentou que o processo de redução dos juros “continuará dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos, de possíveis reavaliações da estimativa da extensão do ciclo e das projeções e expectativas de inflação”.

Juros reais e crescimento econômico

Com a redução de juros promovida pelo Copom nesta quarta-feira, o Brasil permaneceu no terceiro lugar no ranking mundial de juros reais (calculados com abatimento da inflação prevista para os próximos 12 meses), compilado pelo MoneYou e pela Infinity Asset Management.

Com os juros básicos em 8,25% ao ano, a taxa real do Brasil soma 3,29% ao ano, atrás da Rússia, com juros reais de 4,32% ao ano, e da Turquia (4,02%). Nas 40 economias pesquisadas, a taxa média está negativa em 0,24% ao ano.

Recentemente, o presidente do BC, Ilan Goldfajn, observou os juros reais brasileiros, mesmo antes desse último corte da taxa Selic, já estavam em um patamar que “tende a estimular a economia”.

Em agosto, o IBGE informou que o Produto Interno Bruto (PIB) subiu 0,2% no segundo trimestre, frente aos três primeiros meses deste ano. Para analistas, o resultado mostra que há sinais de uma recuperação consistente da economia.

Fonte: G1