Meios de Pagamentos – O NFC ESTÁ PRÓXIMO

A tecnologia de pagamento por aproximação não é nova, mas, com o uso massivo de dispositivos móveis, ela se torna cada vez mais irreversível

Realizar qualquer compra no varejo sem ter de, sequer, tirar a carteira do bolso. A comodidade já existe graças à tecnologia NFC (Near Field Communication, em inglês), que permite o pagamento por dispositivos móveis como smartphones, relógios, pulseiras e até anéis. A tecnologia não é nova, mas ainda não ganhou espaço de forma massiva no País.

Contudo, o pagamento por aproximação é uma realidade irreversível, considerando o comportamento cada vez mais mobile dos consumidores – principalmente o das novas gerações. Segundo Ricardo Vieira, diretor-executivo da Abecs (Associação Brasileira de Empresas de Cartões de Crédito), em breve, a tecnologia irá substituir outros meios tradicionais de pagamentos no varejo.

“Não é possível prever, mas, sem dúvida, o pagamento por aproximação deve crescer e poderá ocupar a princípio uma fatia importante das compras rotineiras, de baixo valor, hoje realizadas em grande parte com dinheiro. Seja por aproximação, seja por meio convencional, todas essas transações passam pelo sistema de meios eletrônicos de pagamento, que certamente continuará crescendo e respondendo por grande parte dos pagamentos no Brasil nos próximos anos”, completou.

De acordo com a Abecs, 60% dos POS (Point of Sales), dispositivos disponíveis hoje no varejo, já dispõem da tecnologia. E, se depender da indústria, esse número deve crescer ainda mais. Em torno de 90% das máquinas da Cielo contam com a tecnologia. O número representa cerca de 1,6 milhão de aparelhos no Brasil. Investir em novas experiências de pagamento é uma das prioridades da empresa.

“Não somente o NFC é importante, mas toda e qualquer nova tecnologia que seja útil para facilitar o dia a dia do nosso cliente e que possa ser levada ao varejo em larga escala.”, diz Rodrigo Penteado, diretor de Produtos Clássicos da Cielo. De acordo com o executivo, a companhia investiu cerca de R$ 3 bilhões nos últimos cinco anos na atualização e renovação de seu parque tecnológico, para aprimorar suas tecnologias.

Movimento semelhante acontece na Rede. Apesar de representar menos de 1% das transações, o NFC está presente em todas as máquinas oferecidas hoje pela companhia, a rma Frederico Souza, diretor de Produtos da Rede. Segundo ele, esse tipo de transação ainda é feita em grande parte por pessoas que vieram de outros países, nos quais a tecnologia já é mais usada. “Aqui no Brasil ainda estamos longe de uma adoção ainda grande do usuário. Mas estamos nos preparando porque sabemos que grandes players, como Android Pay e Apple Pay, devem chegar em breve ao País e impulsionar o uso no varejo”, completou.

AS EXCEÇÕES À REGRA

Apesar de a adoção desse tipo de tecnologia não ser ainda massiva no varejo, há redes que já saíram à frente.
A rede de postos Ipiranga é uma delas. Os 7,6 mil estabelecimentos que compreendem a rede de postos
de gasolina e lojas de conveniência do Grupo Ipiranga oferecem esse serviço desde o ano passado. A escolha, segundo André De Stefani, gerente-executivo de Desenvolvimento de Varejo da marca, se deu por conta da necessidade de melhorar a experiência dos consumidores.

“O cliente é mais digital e precisa realizar as suas demandas do dia a dia com rapidez e conveniência. Justamente por isso, a empresa busca constantemente essas novas soluções”, afirma. O Grupo não divulga o número de transações já feitas por meio dessa tecnologia, mas sinaliza que a adoção foi positiva. Isso porque
a tecnologia também será incorporada ao principal dispositivo da empresa, o aplicativo Abastece Aí ainda neste ano.

 

NFC EM FOCO

Confira o ranking dos países que mais realizam transações com dispositivos de aproximação

REPÚBLICA CHECA

AUSTRÁLIA

ESLOVÁQUIA

POLÔNIA

NOVA ZELÂNDIA

GEORGIA

SINGAPURA

REINO UNIDO

CANADÁ

HUNGRIA

Fonte: Visa/PayWave

Outro grande varejista que já está usando a tecnologia no Brasil é o McDonald’s. A rede já disponibiliza a opção de pagamento por aproximação em alguns países, mas a novidade só chegou ao Brasil no m de julho, com a reinauguração da loja-conceito em São Paulo, que tem forte apelo tecnológico.

Ambos os varejistas receberam um empurrãozinho da Samsung Brasil para começar a usar a tecnologia NFC em seus estabelecimentos. A multinacional norte- coreana lançou em agosto de 2015 o Samsung Pay, um aplicativo para aparelhos da marca que simula os cartões do cliente no mundo digital. O usuário abre o aplicativo e cadastra o Samsung Pay, usando as câmeras do próprio smartphone. O aplicativo reconhece o número do cartão e o transforma em um cartão digital. O cartão vai ser validado com o banco, que libera o uso em questão de minutos.

O Samsung Pay chegou ao Brasil em julho de 2016. A partir de então, tem participado de um longo processo de catequização de varejistas e consumidores para que pagamentos sem o uso de cartões físicos sejam efetuados por aproximação. “A gente trabalha muito para promover o uso. Não basta só ter o aparelho, mas o usuário precisa conhecer o serviço”, a rma Renato Citrini, gerente sênior de Produtos da Divisão de Dispositivos Móveis da Samsung Brasil.

“Acredito que a partir do momento no qual a tecnologia NFC se tornar mais popular, tanto aumentando o uso em smartphones quanto do lado dos lojistas e das máquinas que aceitam hoje o pagamento, o brasileiro irá substituir as atuais formas de pagamento. Na hora em que os dois lados crescerem teremos outro cenário e isso deve acontecer muito em breve”, acredita o executivo.

A CULTURA COMO EMPECILHO

 A CULTURA, MUITO MAIS DO QUE A TECNOLOGIA, É UM DOS PRINCIPAIS EMPECILHOS PARA O CRESCIMENTO DA ADOÇÃO DO NFC NO VAREJO.

A Samsung é parte da rede de fornecedores que tentam criar uma cultura de meios de pagamentos por aproximação no Brasil. A cultura, muito mais do que a tecnologia, é um dos principais empecilhos para o crescimento da adoção do NFC no varejo. As promoções e as experiências são as principais ferramentas para estimular o uso da tecnologia, tanto do lado do lojista, como do lado do consumidor.

A Samsung, por exemplo, estimula o uso do serviço da Samsung Pay por meio de parcerias com lojistas. Há casos de compras de lanches em que o cliente ganhava sobremesa, caso o pagamento fosse feito pelo aplicativo, por exemplo. Já a Visa aposta na experiência como divulgadora da tecnologia. A companhia criou um anel pré-pago para pagamentos por aproximação para as Olimpíadas e irá lançar outro dispositivo com NFC para os participantes do Rock in Rio. A empresa também já criou dispositivos de pagamento por aproximação como pulseiras, relógios e anéis. Todos esses projetos passaram pela observação de duas divisões especí cas de tecnologia para novos tipos de pagamentos e uma para novos negócios da companhia.

“Criar ferramentas para que o consumidor teste a tecnologia e perceba que é uma ótima experiência e o varejista também veja que o seu tempo de caixa melhorou consideravelmente são formas de educar a sociedade sobre a tecnologia”, explicou Percival Jatobá, vice-presidente de produtos da Visa.

A companhia tem intensificado nos últimos seis meses discussões, projetos e debates sobre a aplicabilidade do NFC em diversos dispositivos. “Temos incentivado uma série de discussões não só dentro da própria Visa, mas na indústria, para que esse padrão de pagamento não seja algo exclusivamente nosso. Entendemos que não estamos concorrendo em questão da tecnologia e, quanto mais outras bandeiras adotem o NFC, mais rapidamente vamos criar um padrão de aceitação. Para o comércio, é fundamental que padronizemos e assim o cliente tem uma experiência fácil e amigável”, afirma.