Muita Atenção: Quais pontos você deve ficar atento para evitar fiscalização com punição

Alerta: Este estudo está de acordo com as normas legais e regulamentares vigentes na data de sua elaboração. Tendo em vista que essas normas sofrem constantes alterações, o aconselhável é que todos os interessados acompanhem cuidadosamente a evolução dos assuntos aqui tratados.

Inúmeros órgãos, agências reguladoras e autarquias repartem entre si a responsabilidade por verificar a conduta na atuação das empresas brasileiras. Com tamanha quantidade de siglas e regras, muitas pessoas se aproveitam da situação para agir de má fé, se apresentado falsamente como fiscal ou forçando a compra de linhas de produtos por meio da desinformação. Somente três órgãos estão devidamente autorizados a fiscalizar o cumprimento dos direitos do consumidor: Fundação Procon (Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor), Polícia Civil do Estado de São Paulo (Secretaria de Segurança Pública) e IPEM-SP (Instituto de Pesos e Medidas do Estado de São Paulo).

O trabalho desses órgãos ocorre em paralelo, mas, em casos especiais, podem ser realizadas “blitz”, ou seja, operações em conjunto. Enquanto a Polícia Civil realiza o trabalho policial propriamente dito, a partir de indícios de crime contra o consumidor, com a possibilidade até de prisão e denúncia ao Ministério Público, o Procon instaura processos administrativos por meio da lavratura de um auto de infração.

Procon

Para ilustrar como ocorre a fiscalização, pega-se, por exemplo, um produto comercializado que não foi entregue no prazo combinado entre loja e consumidor. O Procon tenta no âmbito da diretoria de atendimento negociar o cumprimento do acordo. Caso não surta o resultado esperado e seja algo rotineiro o comerciante vender, mas não entregar, o caso passa para a esfera da diretoria de fiscalização. A partir daí, é aberta uma averiguação preliminar baseada nos indícios de irregularidade. Acusação confirmada, um auto de infração é lavrado. A princípio impõe-se ao estabelecimento uma multa pecuniária e, após lavramento, começa o processo administrativo com prazo para defesa, apresentação da defesa e, não prosperando, o pagamento da multa.

IPEM

O IPEM (Instituto de Pesos e Medidas), por sua vez, órgão delegado do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), é responsável em relação às questões de certificação e metrologia. Uma loja que está vendendo produtos com 200 gramas a menos do que o informado na embalagem está sujeita aos rigores da lei. Como a Fundação Procon não tem condições de apurar tecnicamente esse tipo de irregularidade e o IPEM possui laboratório para tanto, casos com essas características ficam sob sua alçada. Nas situações que estejam ocorrendo erro, o laudo é repassado ao Procon, que lavra um auto de infração. O IPEM, por seu turno, instaura um processo em sua esfera de trabalho.

Vale lembrar que produtos fora de validade e a afixação correta de preços ficam na alçada do Procon-SP. Em outras palavras, caso seja verificado, por exemplo, problemas na emissão de Nota Fiscal, o Procon está apto a informar o problema ao Sefaz.

Afixação de Preços

A oferta e as formas de afixação de preços de produtos e serviços para o consumidor são explicadas pela Lei Federal 10.962, de 11 de outubro de 2004, que complementa o Código de Defesa do Consumidor (Lei Federal 8.078/90) e foi regulamentada pelo Decreto Federal 5.903, de 20 de setembro de 2006.

A informação de preços deve ser correta, clara, legível, precisa e ostensiva. Ou seja, o preço à vista deve ser sempre divulgado e um possível parcelamento da compra também. É preciso constar ainda no mesmo local a divulgação de suas condições: número e valor das prestações, taxa de juros e demais acréscimos ou encargos. Não se esqueça de colocar ainda o valor total.

A afixação do preço pode ser feita de várias formas, desde que respeitadas as regras acima. Por meio de etiquetas ou similares afixados diretamente nos produtos expostos à venda no interior da loja ou em gôndolas e prateleiras. Atenção: a face principal precisa estar voltada ao consumidor. O mesmo critério deve ser utilizado para os produtos expostos em vitrines.

Além do uso de afixação direta ou impressa na embalagem do produto, é possível ainda usar código referencial ou leitor de código de barras. No entanto, recomenda-se cuidado nesses casos, pois existe a possibilidade do consumidor ficar com dúvidas, bem como a necessidade de prover a loja, no segundo caso, de leitores ópticos e de sinalização adequada para informar a localização dos equipamentos disponíveis. Vale lembrar ainda que existe a exigência de observar na área de vendas a distância máxima de 15 metros entre qualquer produto e o leitor óptico mais próximo. Outro detalhe importante: é necessário manter um desenho (mapa) da área de vendas contando com a identificação clara e precisa da localização dos leitores ópticos. Isso se mostra importante para fiscalização por permitir demonstrar o cumprimento da distância máxima de 15 metros exigida pela lei.

Informações na Embalagem

O comerciante deve ter atenção também em relação às embalagens dos produtos comercializados na loja, que necessitam de uma série de informações, entre as quais podemos citar:

– Denominação de Venda do Produto e Marca

– Identificação da Origem (país – fabricante/produtor/importador/distribuidor)

– Identificação do Lote

– Prazo de Validade (veja mais informações abaixo)

– Quantidade Nominal/Indicação Quantitativa do Conteúdo (de acordo com a Portaria do Inmetro nº 157 de 19/08/2002)

– Instruções de Uso do Produto

– Contato do Serviço de Atendimento ao Consumidor

– CNPJ do fabricante/produtor/importador/distribuidor

– Endereço do fabricante/produtor/importador/distribuidor

– Cuidados de conservação

– Simbologia de manuseio, armazenagem e transporte

– Simbologia de identificação de materiais e de descarte seletivo

– Para produtos eletroeletrônicos, tipos de entradas/saídas, amperagem etc.

– Tradução das informações para o caso de produtos importados

Vale lembrar que o prazo de validade deve constar em todos os itens comercializados, inclusive ferramentas, ferragens etc. Nesses casos, o recomendado é informar: prazo de validade indeterminado.

Atenção: é importante também o comerciante ficar atento às condições físicas da embalagem, que não pode estar danificada, pois é considerada pela fiscalização imprópria ao consumo, conforme determina o Código de Defesa do Consumidor. Também estão nesse caso as latas amassadas ou enferrujadas e caixas, envelopes e outros tipos de embalagens, como blisters, rasgados, violados ou amassados,

Produtos Certificados

Muitos produtos do segmento estão sujeitos a certificação e etiquetagem compulsórias. Em outras palavras, a certificação é obrigatória. Em razão de sua amplitude e mudanças constantes na listagem, o Departamento Jurídico do Sincomavi recomenda aos interessados consultar as informações necessárias diretamente no site do Inmetro: http://www.inmetro.gov.br/prodcert/

O IPEM possui a total responsabilidade pela fiscalização de instrumentos, processos de medição e qualidade de produtos regulamentados pelo Inmetro. Para cada produto existe um procedimento. Por essa razão, muitos itens precisam contar obrigatoriamente com certificação, etiquetagem ou declaração do fornecedor para serem comercializados. Ou seja, o instituto não se preocupa apenas em fiscalizar o peso e a medida do produto, mas também se o mesmo responde por um determinado nível de qualidade de fabricação, comprovado pelo Selo do Inmetro.

Produtos Controlados

A fiscalização de agentes da Policia Federal e da Policia Civil é exercida na compra, venda, armazenamento e utilização de produtos controlados, dados que são utilizados na produção de drogas, explosivos e munições.

Entre esses produtos citamos especialmente os ácidos, cloro, água raz, soluções limpadoras, alguns tipos de tintas, vernizes, solventes, thinner etc., que, dependendo da quantidade e da concentração ou grau de pureza, são controlados pelos órgãos já citados e, para serem adquiridos e comercializados, as empresas necessitam se cadastrar nos respectivos órgãos policiais e, em alguns casos, até no Exército. Além disso, é preciso obter as respectivas licenças ou alvarás, pagar as correspondentes taxas e cumprirem diversas obrigações administrativas, tais como: o preenchimento de relatórios, mapas, renovações etc.

Fonte: Sincomavi