Varejo espera efeitos da nova CLT para reviver ‘anos de ouro’

Frente às mudanças nas leis trabalhistas, que entrarão em vigor a partir de novembro, o varejo se prepara para receber um impulso na geração de empregos. De acordo com o CEO da varejista de moda Riachuelo, Flávio Rocha, o setor apresenta sinais de retomada, impactado pelos cortes na taxa de juros e a queda da inflação.

“A reforma trabalhista é fundamental, principalmente para essa grande transformação da economia puxada pelo varejo. Nós tínhamos uma lei trabalhista completamente desatualizada, anacrônica, de quando a única esperança de emprego formal era a indústria. Hoje, a indústria representa menos de 9% dos empregos no Brasil; varejo e serviços já representam 75%. A indústria pode conviver com aquele horário mais rígido, mas as lojas de varejo e serviços têm que prestar o serviço na hora em que o cliente deseja”, opina o CEO da Riachuelo, Flávio Rocha.

Segundo o executivo, que discursou sobre as tendências do mercado varejista no Brasilshop São Paulo 2017, evento organizado pela Associação Brasileira dos Lojistas de Shopping (Alshop), o comércio deve ser impactado positivamente com a reforma trabalhista, sancionada recentemente pelo presidente Michel Temer. Se hoje os funcionários das lojas do setor têm de cumprir uma jornada de trabalho extensiva em dias com pouca movimentação de clientes, a tendência é que uma carga horária mais ‘flexível’ seja desenhada após novembro, quando a proposta entrará em vigor.

Após a chamada ‘década de ouro do varejo’, que durou de 2003 a 2013, o setor está sofrendo com o momento conturbado do cenário político brasileiro. “Nós tivemos uma revolução transformadora de 2003 a 2013, onde o varejo saiu de coadjuvante para protagonista. Isso trouxe inclusão e inserção de 40 milhões de novos consumidores. Infelizmente, uma política econômica desastrosa trouxe seus efeitos e depois de uma década de ouro vieram dois anos de pesadelo”, afirma Rocha.

Fonte: DCI